Chá de outono

18 Jun

Diz o Livro do Imperador Amarelo: “No outono é sábio deitar cedo e levantar cedo, com o cantar do galo, e ter o espírito sereno, a fim de minimizar a punição do outono. Alma e espírito devem unir-se para que a exaltação do outono seja tranquila e para conservarem seus pulmões  puros, as pessoas não devem dar expansão aos seus desejos.”

Outono é uma época propícia para voltar ao chá quente. Meu encanto por chás começou porque sempre tinha que recorrer ao chá de boldo quando me excedia nas guloseimas (o que acontece ainda com freqüência). De tanto tomá-los, comecei a curti-los e daí passei a estudá-los. Encontrei uma anotação curiosa, mas infelizmente não tenho a fonte. Antigamente, as três coisas mais destrutivas e mais perturbadoras do mundo eram:

  1. Ver jovens com pouca instrução
  2. O mau uso do chá fino
  3. A grande arte não receber a devida atenção

Falando em chá fino, os chineses ricos e de bom gosto compravam a variedade paotchong de cor parda-violácea que se transformava em uma infusão dourada.  Haviam também o bouy superior e o pekao ou pekoe-cor-de-rapé que provinham de folhas tenras e recebiam aroma de rosas. O melhor de todos era o orange pekoe, também oriundo de folhas muito tenras e pequenas. Ele era fermentado e manipulado de tal modo que ficava com a forma cilíndrica.

No entanto, havia um tipo de chá raramente acessível (até mesmo para as classes abastadas) chamado de fick-tsjaa – chá imperial. Somente príncipes e grandes senhores o tomavam. Tento imaginar qual seria o gosto desse chá. Para ser colhido, os trabalhadores (escolhidos a dedo) tinham que tomar um ou dois banhos antes, lavar os arbustos, colocar luvas e juntar as folhas em um cesto especial de junco. Pelo menos assim era o ritual na colina japonesa de Udsi, protegida por profundos fossos. Tudo isso para o imperador tomar uma xícara de chá.

No extremo oposto, o tipo mais grosseiro de chá japonês era o ban-tsjaa (banchá), feito do reaproveitamento das sobras do processamento dos chás finos. E isso inclui reaproveitar resíduos que caem pelo chão da fábrica. Hoje em dia esse processo deve ter mudado e o banchá contém somente as  folhas mais velhas do arbusto. O pior de todos, no entanto,  era o lie-tea dos ingleses. Além dos restos recolhidos do chão,  ele continha corante, amido, aguardante e até sangue.

A Holanda foi o primeiro país do Ocidente a entrar em contato com o chá, em 1610, por meio de mercadores que negociavam com os chineses. Só depois os ingleses o descobriram quando a Companhia Holandesa das Índias resolveu exportá-lo.

Melhor do que falar sobre chá, é saboreá-lo. Aqui tem uma receita que achei em um dos meus caderninhos.

Receita de Chá com Gengibre

  • 2 xícaras de leite
  • 1 1/2 de água
  • 2 colheres (chá) de chá preto
  • 1 fatia de gengibre
  • 2 paus de canela
  • 4 cardamomos

Ponha os ingredientes em uma panela alta. Levar ao fogo baixo e ferver por 15 minutos mexendo de vez em quando para o leite não derramar. Coe e sirva.

Fim de outono, começo de inverno. Melhor época para tomar um chá quentinho não há!🙂

Fontes: O Livro do Chá – Francis Rhomer. Editora Aquariana / Meditando na Cozinha – Sonia Hirsh. Editora Corre Cotia.

Uma resposta to “Chá de outono”

  1. maria julia 03/05/2011 às 22:39 #

    Voltou a estação do chá! Saúde!
    bjs

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