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Como fazer mudança

27 Abr

Uma vez eu fui na casa de uma menina que estava se mudando para o Japão estudar moda. Ela estava vendendo todas suas roupas, sapatos, livros e o que mais você quisesse comprar. Aquilo me deixou impressionadíssima e fui conversar com ela. “Como você consegue?” e ela respondeu: “Necessidade. Mas quer saber? Faça isso ao menos uma vez na vida e vai ver que sensação boa é vender todas suas coisas.”

Para os mais apegados e para quem vai se mudar apenas para um outro bairro (e não para o Japão), comecei a pesquisar dicas para minha próxima mudança. A primeira que fiz foi com ajuda da caçamba do carro dos meus pais e a boa vontade deles de carregar as coisas (nessas horas você sabe que amor de pai e mãe é infinito MESMO).

Agora vai ser mudança pra valer! Pegue seu rolo de fita crepe, pincel atômico, etiquetas, plástico bolha e vem comigo!

1- Comece a separar o que você não usa diariamente. Objetos decorativos, roupas fora da estação, CDs, livros, fotos.

2- Depois de embalados, acomode-os nas caixas e escreva para onde eles devem ir: cozinha, sala, quarto. Você pode colar um adesivo colorido também para cada ambiente e identificar as caixas mais rápido. Existem fitas grossas com diversas cores em papelarias. Exemplo de identificação de caixa: COZINHA: POTES E PANELAS.

3- Uma outra dica alternativa: numerar os ambientes e colocar na caixa. 01-sala 02- cozinha…daí as caixas com os números iguais vão para o mesmo ambiente. Tem gente que até coloca a numeração na planta da residência e entrega para a empresa de mudança. Daí o pessoal da transportadora sabe aonde colocar cada caixa.

4- Não tente fazer tudo de uma vez. Inicie com as coisas de pouco uso senão você vai se estressar à toa procurando aquela blusa no meio das caixas.

5- Documentos, passaportes, dinheiro, objetos de valor, jóias. Tudo isso vai junto com você no carro.

6- Se for reutilizar lustres, persianas, cortinas e tapetes no novo apartamento, retire-os no dia anterior. E se for usar os que já tem no apartamento novo, mande lavá-los com uma semana de antecedência.

7- Para coisas que continuarão no apartamento, colocar um aviso para os funcionários da transportadora: NÃO LEVAR.

8- Se puder, guarde os aparelhos eletrônicos nas suas embalagens originais.

9- Separe um kit de bens de primeira necessidade:  louça e talher para as primeiras refeições, detergente, sabonete, toalha, estojo de primeiros socorros, objetos de higiene pessoal, produtos de limpeza, carregadores de celular, laptop.

10- Muita calma nessa hora, tire fotos do processo se for possível para recordar depois. Para os mais pinguços festivos, guardar uma garrafa de prosecco para comemorar o sucesso da mudança não é má ideia, hein? Só separe as taças num lugar fácil porque com copo de plástico só dá para apreciar uma cidra cereser, vade retro!

Agora, se você é uma pessoa louca radical veja esse vídeo para se inspirar. Eu hein?

Foto: Alain Delorme.

Simples X Simplório

23 Jun

Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado. ~Albert Einstein

Antes mesmo de começar a diminuir drasticamente o número de coisas que tenho, sempre tive uma simpatia pela revista Vida Simples. Folheando, encontrei esta matéria do Eugenio Mussak. A matéria toda é muito boa, mas o que me chamou a atenção foi a diferença entre ser simples e simplório.

Há uma diferença fundamental entre ser simples e simplório. Os simples resolvem a complexidade, os simplórios a evitam. (…)

Ser simples não significa evitar o complexo, abrir mão da sofisticação, negar a profundidade, contentar-se com o trivial.

No final do texto, ele conclui que existem maneiras diversas de ser simples, mas que existem algumas características que são comuns a todos que vivem uma vida descomplicada.

São desapegadas: não acumulam coisas, fazem uso racional de suas posses, doam o que não vão usar mais.
São assertivas: vão direto ao ponto com naturalidade, mesmo que seja para dizer não, sem medo de decepcionar, não “enrolam” nem sofisticam o vocabulário desnecessariamente.
Enxergam beleza em tudo: em uma flor no campo e em um quadro de Renoir; em uma modinha de viola e em uma sinfonia de Mahler; em um pastel de feira e na alta gastronomia.
Têm bom humor: são capazes de rir de si mesmas e, mesmo diante das dificuldades, fazem comentários engraçados, reduzindo os problemas à dimensão do trivial.
São honestas: consideram a verdade acima de tudo, pois ela é sempre simples e, ainda que possa ser dura, é a maneira mais segura de se relacionar com o mundo.

Decidi ser adepta da simplicidade, apesar de não ser fácil! E como disse Geraldine Chaplin de maneira categórica no filme “Fale com Ela”, de Almodóvar: