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O Essencial na Cozinha

5 Jul

Se existe um cômodo aonde o céu e o inferno se encontram, pode ter certeza que é na cozinha. Maravilhoso quando aquela receita dá certo e o terror com a pilha de louça suja depois. Ótimo quando as comprinhas chegam lindas do supermercado e o horror ao descobrir a salada esquecida no fundo da gaveta de legumes sofrendo uma metamorfose maligna.

Para facilitar a limpeza e a organização, é melhor ter os essenciais e esquecer os cacarecos (ok, quem resiste? mas vamos fingir que somos pessoas contidas e racionais). Estou há 7 meses morando numa cozinha minimalista, tão minimalista que nem armário tem. E não recomendo, porque é um saco ficar arrumando as coisas em cestos. E também não tenho fogão, tenho um cooktop  de uma boca, uma panela e uma frigideira. Vou contar a conclusão desse doutorado em cozinha minimalista.

1- Você só vai cozinhar massa, fritar bife, panqueca, risoto e omelete com arroz. Ok, saladas não precisam de forno!

2-Você vai comer sorvete e brigadeiro pra matar a fome de doce.

3-Você vai ter que ter muito autocontrole para não virar o Gigante Olofeu (minha mãe que fala isso) e só comer porcaria por preguiça.

Apesar desse estranho estilo de vida, de vez em quando recebemos alguns aventureiros amigos no nosso acampamento para um jantar de guerrilha.

Todo esse preâmbulo é para falar que o que foi útil para nós nesse tempo. Outros apetrechos bacanas você encontra na minha lista de chá-de-panela.

  • Facas de boa qualidade. Uma faca de pão: Não precisa comprar um kit com inúmeras facas. Eu tenho duas pequenas afiadíssimas (uma sem e outra com dentes) e uma grande a la Jamie Oliver.
  • Colher de pau. Tenho algumas, uma só pra fazer doce. Deixe no sol quando puder porque senão fica com mofinho.
  • Chaleira Elétrica: para fazer café, chá, ferver água pra jogar na louça, roupa (eu tenho mania de jogar água quente pra desinfetar, é TOC). Ferve rápido, eu usei horrores (várias vezes por dia) e ela continua ótima.
  • Máquina de lavar louça: se puder, tenha. Já vi casal pedindo divórcio por conta de louça suja. E quem mora sozinho se aperreia com a quantidade de louça pra fazer um almoço.
  • Frigideira.
  • Duas panelas, no mínimo: uma média e outra mais funda para fazer aquele macarrão que você já é especialista. Na média você faz o molho. Pronto.
  • Filtro de água: vale totalmente o investimento. Muito melhor do que comprar aquelas garrafonas pesadas que podem causar um tsunami doméstico se você estiver com fraqueza. Não curto filtro de barro, é romântico, mas o gosto não me agrada.
  • Os óbvios: geladeira com freezer, fogão. De preferência autolimpante.
  • Mixer de mão: tenho um que serve como processador e batedeira, é ótimo. Mil e uma utilidades.

O que evitar:

  • Máquina de fazer sorvete: Eu sei, é tentador, mas vai ocupar um espaço enorme no seu armário.
  • Máquina para fazer pão: A idéia é maravilhosa – pão quentinho e fresco de manhã, mas com o tempo você vai deixar isso de lado e descer pra ir na padaria da esquina.
  • Utensílios com uma função: Pipoqueira, moedor de noz moscada, fritadeira funda (bebe óleo assustadoramente), máquina de fazer arroz (a não ser que você seja um oriental tradicional), fonte de chocolate (Gigante Olofeu tem um), pilão de cerâmica. Eu já habitei o mesmo espaço que esses utensílios (tirando a fonte de chocolate) e depois da euforia inicial, todos ficaram esquecidos.
  • Utensílios muito fantasiosos: Podem ser divertidos, mas com o tempo a faca de pão com formato de baguette pode tomar um espaço desnecessário na gaveta. Os espetinhos de queijo com um queijinho na ponta também.
  • Coisas para serem usadas em ocasiões especiais: a vida é uma ocasião especial, então trate de usar essas coisas que você guarda para usar uma vez por ano. Minha avó tinha uma louça inglesa lindíssima que nunca foi usada inteira aguardando uma ocasião especial. Resultado: acabou sendo repartida entre familiares.

Sentimentos dúbios:

  • Microondas: Tem gente que tem horror, tem gente que não vive sem. Eu prefiro evitar mas já tentei cozinhar nele, o que resultou em coisas borrachudas e pálidas. Para esquentar uma comida rapidamente, é muito prático. Para esquentar brownie e petit-gateau congelado, não tem coisa melhor. Pra derreter chocolate é tudo de bom. Pipoca então, é só festa. Mas a comida esfria mais rápido que o normal e o arroz fica ressecado (ponho uma colher de água nele para evitar isso). Empadões e massas viram uma massaroca do mal. Já vi médico indiano falando que é uó, totalmente antinatural. Prefiro evitar o uso, mas tenho.

Sabedoria do dia: na cozinha, nem sempre menos é mais. Evite o “demais”. E tenha armários!

Simplificando a vida com John Maeda

2 Abr

Enquanto crianças, nunca entendemos o “me deixe em paz, estou ocupado” observando nossos pais sentados com a mão na cabeça. Conversas longas de família no telefone. Problemas, muitos problemas. Hoje os problemas chegam por e-mail, bem mais rápido. Complexo. Daí em 2008 me deparei com esse livro do John Maeda. Nunca tinha ouvido falar dele, mas quando comecei a folhear o livro fiquei tão intrigada que levei na mesma hora e fui lendo no ônibus. Fiquei perplexa em saber que ele é designer gráfico, artista visual e cientista da computação além de  professor no MIT. Como nunca me haviam falado sobre ele?

Ele inicia o livro explicando sobre o que o motivou, como utilizar o livro e o porquê de cada coisa. Depois entra nas 10 Leis da Simplicidade:

1 Reduzir – A maneira mais simples de alcançar a simplicidade é por meio de uma redução conscienciosa.

2 Organizar – A organização faz com que um sistema de muitos pareça de poucos.

3 Tempo – Economia de tempo transmite simplicidade.

4 Aprender – O conhecimento torna tudo mais simples.

5 Diferenças – Simplicidade e complexidade necessitam uma da outra.

6 Contexto – O que reside na periferia da simplicidade é definitivamente não periférico.

7 Emoção – Mais emoções é melhor que menos.

8 Confiança – Na simplicidade nós confiamos.

9 Fracasso – Algumas coisas nunca podem ser simples.

10 A única – A simplicidade consiste em subtrair o óbvio e acrescentar o significativo

E o livro é totalmente escrito numa linguagem simples e cheio de observações espirituosas.

“Os bebês são exemplos dessas máquinas complexas que, embora pequenas, exigem atenção constante a ponto de levarem a maioria dos pais à loucura.”

“O lar é normalmente o primeiro campo de batalhas que vem à mente quando enfrentamos o desafio diário de administrar complexidade. As coisas parecem multiplicar-se. Há três estratégias consistentes para alcançar a simplicidade no universo doméstico: 1) comprar uma casa maior, 2) colocar tudo o que você realmente não necessita num depósito, 3) organizar seus bens materiais de maneira sistemática.”

O livro serve de reflexão tanto para desenvolvedores de programas quanto para donas-de-casa às voltas com a organização do lar. No final, tudo se resume a criar um sistema que funcione para você e que o permita fluir um pouco mais na rotina, evitando um pouco as mãos na cabeça (quase arrancando os cabelos).

Para saber mais:

Blog Laws of Simplicity.

Twitter do John Maeda.

Simples X Simplório

23 Jun

Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado. ~Albert Einstein

Antes mesmo de começar a diminuir drasticamente o número de coisas que tenho, sempre tive uma simpatia pela revista Vida Simples. Folheando, encontrei esta matéria do Eugenio Mussak. A matéria toda é muito boa, mas o que me chamou a atenção foi a diferença entre ser simples e simplório.

Há uma diferença fundamental entre ser simples e simplório. Os simples resolvem a complexidade, os simplórios a evitam. (…)

Ser simples não significa evitar o complexo, abrir mão da sofisticação, negar a profundidade, contentar-se com o trivial.

No final do texto, ele conclui que existem maneiras diversas de ser simples, mas que existem algumas características que são comuns a todos que vivem uma vida descomplicada.

São desapegadas: não acumulam coisas, fazem uso racional de suas posses, doam o que não vão usar mais.
São assertivas: vão direto ao ponto com naturalidade, mesmo que seja para dizer não, sem medo de decepcionar, não “enrolam” nem sofisticam o vocabulário desnecessariamente.
Enxergam beleza em tudo: em uma flor no campo e em um quadro de Renoir; em uma modinha de viola e em uma sinfonia de Mahler; em um pastel de feira e na alta gastronomia.
Têm bom humor: são capazes de rir de si mesmas e, mesmo diante das dificuldades, fazem comentários engraçados, reduzindo os problemas à dimensão do trivial.
São honestas: consideram a verdade acima de tudo, pois ela é sempre simples e, ainda que possa ser dura, é a maneira mais segura de se relacionar com o mundo.

Decidi ser adepta da simplicidade, apesar de não ser fácil! E como disse Geraldine Chaplin de maneira categórica no filme “Fale com Ela”, de Almodóvar: